EXERCÍCIO FÍSICO PARA PREVENÇÃO E REABILITAÇÃO DE DOENÇA DE PARKINSON E ALZHEIMER


Kátia Tanaka: Doutora em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Mestra em Ciências da Motricidade pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP). Bacharel em Educação Física pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Especialização em Yoga e Neuropsicologia.

Nos últimos anos tem se observado um aumento do número de pessoas com doenças neurodegenerativas como Parkinson e demência de Alzheimer. No dia a dia, observa-se que as pessoas pouco conhecem ou confundem ambas as doenças. Então, algumas diferenças serão relatadas aqui de uma forma bem simples.

A doença de Parkinson afeta principalmente a parte motora, pois ocorre a perda de neurônios que produzem uma substância chamada dopamina, que é responsável pelo controle motor. Assim, um dos principais sinais dessa doença é o tremor. Mas não se engane: nem tudo que treme é Parkinson. O tremor, no início da doença, é de repouso e unilateral. Outros sinais e sintomas também são observados como bradicinesia (lentidão dos movimentos), instabilidade postural e rigidez muscular.

Já na doença de Alzheimer, o comprometimento é mais cognitivo, onde observamos o esquecimento, a perda da memória. Mas, assim como na doença de Parkinson, uma simples falha na memória não pode ser diagnosticada como demência de Alzheimer. Além do prejuízo da memória, especificamente recente, observa-se um declínio persistente e progressivo de outras funções cognitivas (linguagem, habilidade visuoespacial, funções executivas, praxias, gnosias, etc.) e alterações de comportamento ou de personalidade. Isto se deve ao acúmulo de uma proteína no cérebro chamada beta amiloide, que provoca a morte de neurônios. Com a progressão dessas doenças, a pessoa acaba ficando cada mais vez dependente, interferindo na sua qualidade de vida.

Tanto a doença de Parkinson quanto de Alzheimer ainda não têm cura, mas existem algumas formas de diminuir a progressão para proporcionar maior independência e melhor qualidade de vida. Aqui destacaremos os benefícios do exercício físico.

O exercício físico tem sido alvo de muitos estudos na prevenção de doenças como Parkinson e Alzheimer, e também considerado uma forma de tratamento não medicamentoso para diminuir os sintomas provocados por essas doenças.

Mas como o exercício físico pode prevenir ou minimizar a progressão dessas doenças?

Quando realizamos exercício físico (regularmente, sistematicamente), com acompanhamento profissional, ocorre um aumento dos batimentos cardíacos, que aumenta da circulação sanguínea. O sangue leva nutrientes e oxigênio para o nosso cérebro. Com o aumento da circulação, ocorre uma maior disponibilidade de nutrientes para nosso cérebro. Além disso, durante o exercício físico, nosso organismo produz neurotransmissores como dopamina e acetilcolina que se encontram diminuídos na doença de Parkinson e Alzheimer. E estudos mais recentes demonstram que o exercício físico também pode promover a neuroplasticidade, ou seja, a formação de novos neurônios e proteger os já existentes. A melhora da coordenação, equilíbrio, flexibilidade e força também é observada, que são componentes que nos auxiliam na execução de tarefas do dia a dia. Durante a execução de exercícios físicos em grupo, também se pode verificar benefícios cognitivos, pois estes estimulam a interação entre pessoas e proporciona um convívio social sadio. Mas, o mais importante é realizar exercício físico que nos agrada, pois nos motiva a continuar, a manter a mente sempre ativa e saudável!

Roberto Losada Pratti

Presidente do IPOMATES

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